Pesquisador inumano
Caique Gomes Barbosa
9/26/20262 min read
Tenho segurado meu rosto como um órgão inflamado nas mãos antes de escrever. Tem sido esse peso argiloso, venenoso e escorregadio que a vida supusesse que eu suportaria. Não me sinto suportando. Peças de quebra-cabeça sendo vomitadas em sonhos pela boca de amigos meus. Arcanos ocultistas tomando a sombra dos meus amigos. Lanças letárgicas atingindo animais mortos por absoluto estímulo desumano de continuar vendo até que dia o sangue habite o vazio. Tenho retirado uma a uma, dessas mãos que escolheram meu pescoço como a última chance de estar perto da vida carnal nesse plano de suposições. Isso tem feito com que não exista espaço para minhas próprias dúvidas. A coerência é o alívio que a consciência encontra ao investigar os últimos passos da inconsciência. Escrever uma árvore de olhos fechados não é o mesmo que sentir uma árvore sendo escrita sem o poder de escolha da palavra. O estado de alerta emitido pela minha alma sempre será pela minha sensibilidade. Eu não sei até que ponto a intuição é somente os nossos olhos de criança que sobraram por detrás da nossa visão. O que me falta de maturidade me sobra de espiritualidade, mas, pelo visto, o que o mundo espera de mim não tem nada a ver com minha complicada forma aguda de realizar os sonhos de quem eu amo. Pelo que tenho escutado, este não pode ser o sonho de um adulto. Realizar o sonho de quem amamos é muito infantil. Quem tem que realizar um sonho é o próprio sonhador, com todas as gavetas bem organizadas, sem qualquer chance ou resquício de transbordar para a direita ou para a esquerda. E, sem chances de seguir este meu exemplo, leve este texto como uma advertência; até porque o desesperado deve ser direcionado para a terapia e mais ninguém. Nenhum adulto merece ouvir o que o outro sente; anote isso. Vai ser melhor para você. O que tem aí no futuro? Outra forma da incoerência dizer: “você não entendeu nada”, já que quem ainda sente alguma coisa, quem sonha em realizar o sonho de outra pessoa, nunca entende nada. Enquanto minha natureza despenca do último andar, aquele mais conectado com Deus, procuro mostrar o dedo do meio de um jeito meio cômico e de tiozão para os posts conceituais sobre solidão. Um dedo do meio sutil para vocês. Morte é querer intelectualidade no amor. Morte é impor limite para um adulto brincar dentro de um sonho. Morte é sujeitar que um infinito de ovos sejam usados como ponte numa rota sem propósito entre um surdo e um mudo perfeitamente lúcidos e felizes.
Contato
Tel: (11) 94988-7347
E-mail: caiqueapple@live.com
sÃO pAULO - SP, bRASIL
Assine a Newsletter do autor
© 2026 Caique Gomes Barbosa. Todos os direitos reservados.